segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"Silêncio de menino"





Cala-te!

E me deixa com o anseio

De descobrir os segredos

Me deixa tatear

A nascente do seu burburinho


Me deixa transpor em mim

Teus olhos

Quem sabe assim

Sorvo também esse mundo

Que habita na tua cerne.


Que já me penetra insuportável

Essa incompreensão das tuas palavras

Desatadas

És feito de gestos largos

E amabilidade afiada

Pra esse coração

Onde me denoto pouco espaço

De sentimentos laváveis,

E perfura-o, pois não é

Cômodo o suficiente

Pra tua espessura


No teu silêncio

A brisa

Confirma a imagem

Tua e da paisagem

Que também te sorve.

És transcendente ao tempo

Um risco cortante

De vida

Que sem alças no passado

Ainda existe

Nesse conforme

Constante


Eu que vivo a morte constante das coisas

Que se deriva em lembranças

Que se aglomeram em enciclopédias autobiográficas

Que sustentam o brio de um homem

Pra evasiva

De um presente aleijado

Não vivível

Não lavável


Ainda me saltam os olhos

Enfastiados pela morte arrastada na vida

Quando te vejo despreocupado

Ora calado, ora chorando

Ora sendo levado pelo vento

Ora o sendo


Estás escrevendo

Um fascículo

Que grita

Num vazio da minha estante

Todas as noites.



André Ulle

4 comentários:

  1. O poesia prevalece :)
    Uma obra de arte o que faz, adoro de verdade, me faz bem :*

    beijos!


    stela

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  2. Parabéns André

    versos lindos e com uma real profundidade....

    bjos vou passar sempre por aki

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  3. bom gostei muito de como usa e abusa de boas palavras, e gostei de muitas coisas q estão escitas apesar de que algumas não batem com minha ideologia de vida... mas parabens vc ta a um passo de ficar excente^^
    tem mensagens q se passão para todos, mas tem coisas q nem todos aceitam....

    é isso ai e continue

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"Não me venha com mais infância"

De todas as infâncias aqui vividas, aqui postadas, aqui lembradas, eu não quero mais lembranças de uma infância. Seja sempre criança, não me venha com infância, infância é coisa de quem já envelheceu. Envelhecer é coisa de coração que vai morrer. Não me fale de infância, aqui somos eternamente esses olhos encantados.