quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"A doença!"



Eu conheci um cara, esse cara tinha uma doença. A coisa parecia grave, e era visível, mas eu ainda tímido com os primeiros encontros preferi não comentar, deixei passar calado, mesmo que sempre que olhava aquilo meu coração se contorcia dentro do peito.

E fui aos poucos aceitando mais a proximidade, me sentindo até quase à vontade com toda aquela coisa. O incrível é que todos, todos por onde ele passava não se continham, olhavam pra ele e não se agüentavam os comentários, e mesmo assim eu ainda permanecia calado, caminhando ao lado dele. Minha timidez começava a me sufocar naqueles corredores do hospital onde com maior freqüência tinha que me deparar com ele e sua doença. E era tão forte que quem olhava pra ela e a notava se compadecia em um choro explosivo, ele carregava esse peso sobre os ombros, o peso dessa doença que a todos comovia.

Fui notando em mim alguns traços diferentes surgindo, no começo assustei, de verdade quando vi as primeiras mudanças em mim. A doença era contagiosa! Notei meu nariz engordando e manchado, cercado de manchas que surgiam pelo resto do rosto, me invadia pelos olhos uma sensação estranha, um mover ao meu corpo, certa fraqueza que imputava os pulsos do meu coração. Eu fui contaminado!

Era contagiosa e me invadia, principalmente pelos olhos, e se alojava em meu peito. Quando dei de cara com o espelho estava com uma cara parecida com a dele, não consegui mais me conter. Vazou-me as lágrimas escorrendo e tornando coloridas com as manchas do rosto, caindo pingos de tinta que contornava essa doença, um escorrimento de aquarela que passava pelo nariz gordo e pingava. Eu com minhas mãos tentávamos enfiar cada lágrima de volta ao olho, queria perpetuar em mim essas cores vivas que agora me vazavam.

Fugiu do meu controle! Eu tinha sido contaminado de uma forma irreversível. E as pessoas começaram a notar e comentar, eu sentia em cada comentário a força dessa doença me cravando o peito. Não teve jeito eu precisava falar de certa forma a culpa era principalmente dele, que em cada abraço me deixava com mais vestígios desse contágio que me atingia por completo.
As manchas se alastraram pelo resto do corpo e me invadiram por dentro.


Lembro de um tal José, companheiro do hospital também, ele e sua família, me lembro de um tal Ademir, uma tal Josefina e outros tantos tais. Que chorando nos abraçavam, agradecendo pela doença que carregávamos e que distribuíamos pelos quartos do hospital, uma doença tão maior que muitas outras, uma doença tão descarada que tomava o espaço de qualquer outra, uma doença incapaz de tirar um câncer ou algo assim, mas que sacanamente neutralizava a tristeza que qualquer outra continha.


Tornara-me como ele um palhaço escancaradamente manchado e com um nariz obeso, que acentuava a palhaçada que agora dominava meu coração. E sempre que posso eu procuro nele através de um abraço ou uma conversa sorver ainda mais essa doença lírica, rara e doce que ele carrega. Alargaram-me os ombros, carregava junto com a doença o coração, o sorriso e as lágrimas de cada tal daquele hospital.

E esse convívio com ele vem me tornando cada dia mais doente. Mais vivo, mais doutor e principalmente mais palhaço.



André Ulle ou Dr. Pinicodemos - Um aprendiz da Risologia




"Nesse Natal eu estive de frente com uma alma mais altruísta que a do Papai Noel"

Minha pequena homenagem a esse grande Palhaço José Hurtado Fernandez ou profissionalmente conhecido como Dr. Pirulito. "O risologista"

Clap Clap! Anjos da alegria! }:O)

" Nosso trabalho pra ser sério... depende do seu sorriso"

Bordão dos Anjos da Alegria

Pra quem quiser mais acessem: www.anjosdaalegria.org.br

E sejam contaminados =D






12 comentários:

  1. Sem palavras dé. =x
    essa sua alegria é contagiante!
    :D

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  2. Dr. Pinicodemos, que já foi Nico, Pinico, nomes que foram surgindo por sugestão de pacientes durante nossas visitas quando este dr. ainda não tinha nome. Sempre alegrando nossas visitas c/ seu violão e no vocal a Nani e dra. Frida. Sou muito grato a todos por aceitarem participar desta família chamada Anjos da Alegria. Obrigado de coração, Pirulito.

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  3. É um peso, é um fardo, e isso tudo é do teu tamanho, imenso!
    E as alegrias pequenas compensam.

    bjos.
    giu

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  4. Fantástico o seu blog! O nome, então, muito original! Parabéns! Serei visitante assíduo.
    Abração.

    Pedro Antônio - A TORRE MÁGICA - www.atorremagica.blogspot.com

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  5. lindooooooooo q emocionante esse texto parabéns linda homenagem

    bjo

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. LINDO TEXTO meu amor,AMEI AMEI AMEI!você está se tornando cada dia melhor na arte de escrever né,não? ♥

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  8. uhm axo tao legal esse trabalho dos anjos ih tem uma grande legiao tenho varios amigos em parte disso ih ultima ves q eu vi tinham duas mil pessoas ih sobia numeros incriveis pode mesmo assim parecer muito mas acredito q nada eh muito quando se falta carinho ih sinceridade tipo nao faco parte ih sei la mas falaria a vcs entrem sim ih facam do seu carinho o carinho de outras pesoa ih o soriso q vc expresa o soriso de varias criancas adultos ih idosos naum seja um normal ih sim um criador de esperancas ih sorisos sinceros

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  9. Caar , gostei do texto . Muito bonito ! :)


    Obs: euri do nariz gordo . =xx uaiehiauehae

    abraços e feliz natal , caar .


    NeTToO® Moreira

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  10. Uau, que lindo. E que a doença do riso se espalhe para todos. Adorei :)

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"Não me venha com mais infância"

De todas as infâncias aqui vividas, aqui postadas, aqui lembradas, eu não quero mais lembranças de uma infância. Seja sempre criança, não me venha com infância, infância é coisa de quem já envelheceu. Envelhecer é coisa de coração que vai morrer. Não me fale de infância, aqui somos eternamente esses olhos encantados.